Relatório Mundial de 2017: Demagogos Ameaçam os Direitos Humanos

(Washington, DC, 12 de janeiro de 2017) – A ascensão de líderes populistas nos Estados Unidos e na Europa representa uma ameaça perigosa à proteção de direitos básicos ao incentivar abusos por autocratas ao redor do mundo, disse hoje a Human Rights Watch no lançamento de seu Relatório Mundial 2017. A eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos depois de uma campanha que fomentava o ódio e a intolerância e a crescente influência de partidos políticos que rejeitam os direitos universais na Europa têm colocado em risco o sistema de direitos humanos do pós-guerra.Enquanto isso, líderes autoritários na Rússia, Turquia, Filipinas e China têm exercido sua própria autoridade no lugar de um governo responsável e do Estado de direito, como suposta garantia da prosperidade e segurança. Essas tendências convergentes, complementadas pela promoção de uma publicidade que desconsidera as normas legais e desdenha a análise factual, desafia as leis e instituições que promovem a dignidade, a tolerância e a igualdade, disse a Human Rights Watch.

Transcript

A ascensão do populismo representa uma perigosa ameaça aos direitos humanos.

Trump ganhou as eleições nos Estados Unidos, e vários políticos na Europa estão buscando chegar ao poder com discursos que apelam ao racismo, à xenofobia, ao nacionalismo e à misoginia.

Todos eles têm em comum a pretensão de falar em nome da maioria, e de alegar que a maioria prefere ter direitos violados se assim for preciso para garantir empregos e evitar mudanças culturais, ou oferecer proteção contra o terrorismo.

Já vimos episódios assim antes.

No último século, vários governos comunistas e fascistas também alegaram falar em nome da maioria, mas depois acabaram por promover uma enorme repressão contra seus povos.

Ainda hoje, pessoas como o presidente Erdogan na Turquia, ou o presidente Sisi no Egito, de início, alcançaram grande popularidade, quando Erdogan lançou sua ofensiva contra supostos conspiradores do golpe, ou quando Sisi foi contra a Irmandade Muçulmana.

Ambos levaram ao extremo essa vontade de violar os direitos humanos ao reprimirem qualquer protesto pacífico contra seus governos.

Há hoje uma tendência de pensar que líderes autoritários governam melhor.

Mas se você olhar para pessoas como Vladimir Putin na Rússia, ou Xi Jinping na China, você verá que, à medida que suas economias desaceleravam ou diminuíam, eles cada vez mais recorreram à repressão, e não combateram a corrupção, a poluição ou o autoritarismo.

Muitos políticos hoje estão respondendo a esta ascensão do populismo simplesmente enterrando suas cabeças na areia, esperando os ventos da mudança passar.

Outros estão, na verdade, emulando os populistas, esperando antecipá-los de alguma forma, quando na verdade estão apenas reforçando suas mensagens.

O que precisamos é de uma reafirmação real e vigorosa dos direitos humanos.

Precisamos explicar que os direitos humanos são a melhor maneira de evitar um governo corrupto e arbitrário.

Os direitos humanos são a melhor forma de garantir que um governo ouça e possa responder às reais necessidades de seu povo.

E os direitos humanos são a melhor maneira de realmente mudar um governo, caso ele deixe de servir a seu povo.

Acima de tudo, as pessoas precisam reafirmar o princípio básico de que devemos tratar os outros como queremos ser tratados.

Essa é a melhor maneira de garantir que todos nós não ficaremos em desvantagem quando um governo vier a abandonar seu compromisso com os direitos humanos